Mar
16
2010

O decreto do espanhol

Nom adoito escrever aquí sobre temas relacionados com a minha actividade profisional, mas normalmente nom está tam de actualidade. Desta volta os professores de tecnologias estamos no meio da polémica, assim que se a actualidade chama por mim, eu resposto.

Vem isto a conto da apresentaçom do Projecto de decreto para o plurilingüismo no ensino nom universitário da Galiza [pdf, 159 KB], apresentado aos meia de comunicaçom polo Secretário Geral de Política Lingüística o passado Sábado 13. E nom me vou extender sobre as formas da apresentaçom (um sábado, e á prensa, sem contar com ningúm dos agentes involucrados nem amosando o texto completo) nem sobre a falta de consenso (palavra coa que se lhe enche a boca ao Conselheiro), nem sobre a obrigatoriedade de impartir áulas em espanhol por primeira vez desde a ditadura, nem sobre a potestade dos pais e nais de mandar (que nom colaborar ou formar parte de) no sistema educativo.

De todo isto já se leva dito muito em tres dias. Tanto sindicatos (CIG-Ensino, STEG, aguardo que CCOO [pdf, 290 KB] e FETE-UGT publiquem algúm comunicado nos seus webs), como partidos políticos (BNG, PSdeG-PSOE, AGIR, NOS-UP), como persoeiros da cultura (Marcos S. Calveiro, Xabier P. Docampo, Manuel Bragado), como associaçons de pais e nais, associaçons de defessa da língua (A mesa, Coordenadora de ENL, Queremos Galego, Galego Património da Humanidade, AGAL) e incluso algum militante do PP já figerom as suas valoraçons iniciais.

Mas em todas estas valoraçons noto um ponto de vista que falta e case nom se escoitou. Este decreto assume a desapariçom do galego nas ciências experimentais. Justamente, é o ámbito do saber onde o galego está menos normalizado onde o governinho retira a língua nacional. Nom há mais que passar-se polos diferentes serviços de normalizaçom lingüística das universidades para ver a minoria na que está o galego. Minoria em quanto á utilizaçom geral, mas quase ausência nas carreiras e departamentos de ciências experimentais.

Se botamos um olho ao informe da Uso dos idiomas na docencia dos departamentos no curso 2009-2010 [pdf, 65 KB], comprovamos que só 14 dos 78 departamentos da USC tenhem umha percentagem de docência em galego maior do 50%. Só um desses é de ciências, o de Producçom Vegetal que, casualmente, tem a sua sede no Campus de Lugo. Se começamos polo outro lado, nos departamentos cumha docência em galego menor do 10% atopamos um total de 33. Desses 33 a grande maioria (25) som de ciências. Os outros som filologias (que em parte tem umha lógica que nom sejam em galego, mas na língua correspondente) de direito e de empresas. Se miramos por titulaçons no informe Evolución do uso do galego na docencia, por graos e titulacións de 1º e 2º ciclo [pdf, 71 KB], temos que baixar até a Engenharia de Montes para atopar a carreira de ciências com maior docência em galego. Um 40%. De novo do campus de Lugo, especializado em ciências agrárias (constatamos que o galego é para falar coas vacas até na universidade). E se excluimos as carreiras agrárias do Campus de Lugo baixamos até o novo Grau em Matemáticas para atopar-nos cumha carreira co 31%. O resto estám por baixo.

Nos casos da UVigo e da UDC nom atopei dados elaborados. Mas já no Plano de Normalización Lingüística da UDC podemos ler cousas como:

  • Só un 2,3% do persoal docente e investigador emprega o galego para redactar os traballos científicos e de investigación. Un 9,9% emprega o galego e o castelán. É dicir, en total un 12,2% emprega o galego, quer de xeito exclusivo, quer alternando co castelán.
  • A grande maioría do PDI da UDC non publicou ningún traballo científico en galego. Só un 26,8% o fixo.
  • Existen áreas de coñecemento cunha moi escasa implantación do galego (áreas tecnolóxicas ou científicas, por exemplo).

En resumo: colhendo ás universidades como mostra da actividade cientista galega, e tendo em conta que na USC (tradicionalmente a mais galeguizada das tres) a docência em galego acada o 25%, constata-se que nas áreas de ciências a situaçom do galego é ainda pior. Se unimos os dados de investigaçom na UDC (10%) podemos assegurar sem medo que a normalizaçom do galego brilha pola sua ausência entre os cientistas galegos. De facto, já tem saido nos jornais a leitura dumha tese polo facto de ser em galego.

Com este decreto, e se os centros repartem as línguas entre as matérias do Bacharelato seguindo o reparto obrigado por decreto no E.S.O., atopariamos facilmente casos nos que os itinerários tenham todas as matérias próprias da modalidade em espanhol. Qualquer itinerário científico-tecnológico tem como matérias próprias da modalidade Matemáticas II, Física e Química e Tecnologia Industrial II. As tres em espanhol, mui possivelmente. Mas isso é bilingüísmo, seica.

Ante isto, a Junta da Galiza a través de Jesús Vázquez e este a por meio de Anxo Lorenzo, decidem unilateralmente erradicar o galego das ciências experimentais já desde o E.S.O., e apelando á tradiçom, por se o tema nom fosse o suficientemente grave. Senhores, a essa tradiçom outros chamamos-lhe ditadura franquista. Ditadura na que se sancionava a quem dava áulas em galego. Cousa que ocorrerá, se nada o remédia, o ano que vem. Por tradiçom.

Queremos ciências em galego.

17/03/2009

Edito para engadir ligaçons aos comunicados de CCOO, AGIR, NOS-UP e AGAL

Written by chimpin in: Geral |

1 comentario

  • as que somos de ciências renegadas e letras escolhidas gostamos deste poste…

    Comment | 17 Marzo 2010

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